Da pornochanchada dos anos oitenta a retomada dos anos noventa,o cinema nacional nunca esteve tão em voga como agora. E se há um nome responsável por essa elevação do cinema brasileiro para outro patamar,seu nome é Selton Melo. Saído das novelas,há mais de doze anos anos (sua última aparição nas telinhas foi em 1999 em Força de um desejo) esse mineiro de trinta e oito anos mostra a que veio em sua segunda incursão na direção de um longa (sua primeira aparição por de trás das câmeras ocorreu no excelente Feliz Natal. Assistindo, me lembrou uma frase que li recentemente em um livro:"Há historias tão tristes mas tão tristes que tem uma alegria boa no final. Mas o contrário não existe". Aqui não só a história mas o personagem é tão triste mas tão triste que no final há essa alegria boa. Tão boa que no final do longa o espectador sairá com um sorriso doce na boca. Selton Mello interpreta Benjamin,um palhaço que não quer ser mais palhaço.Um profissional na arte de fazer o povo rir mas que não tem ninguém que o faça sorrir.O objetivo de Benjamin é ser somente Benjamin e não ser mais o palhaço Pangaré. Não possui identidade,endereço fixo e muito menos cpf.Somente a certidão de nascimento o define.Na verdade,seu trabalho o define.Mas será que é suficiente? Nem um pouco.Seu desejo é se encontrar.Para isso ele sai do colorido mundo circense e vai atrás do cinza do mundo. È nesse cinza que ele se encontra não se encontrando. Faz sua identidade,mora em um pequeno hotel e consegue seu primeiro comprovante de residencia. E é justamente nesse cinza,nesse mundo prosaico que ele encontra e aprecia o belo. Encontra quem o faz rir. È justamente nessa hora que ele da o seu primeiro sorriso e como o filho pródigo:o bom filho a casa retorna,nesse caso,ao circo retorna. Através de uma estetica que investe no colorido,trilha sonora que lembra antigos filmes italianos, e elenco repleto de atores sensíveis que remetem a uma glória do passado,o longa se assemelha a um mundo fantástico e realista,onde o colorido e esperançoso mundo circense se choca a todo momento com a realidade crua da vida fora do teatro. Vi em uma entrevista que a intenção de Selton era sensibilizar o público através de uma história pessoal e exorcizar uma crise criativa que teve no passado. Não sei se ele conseguiu expurgar suas emoções através da arte mas com certeza nos sensibilizou. Pelo menos eu fui contemplada com sua intenção. Trailer: O PALHAÇO (Brasil, 2011). Direção de Selton Mello. Roteiro de Selton Mello e Marcelo Vindicato. Com Selton Mello, Paulo José, Larissa Manoela, Giselle Motta, Teuda Bara, Álamo Facó, Moacyr Franco, Ferrugem, Fabiana Karla, Jorge Loredo, Jackson Antunes, Tonico Pereira, Ferrugem.

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2 comentários:

Victor Lourenço disse...

Esse filme, como qualquer um com o Selton Melo, é sensacional!

Vanessa Santos disse...

Com certeza! Ele é bom até em comercial!rs...

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