Amor Pleno

 
 
 Fluxo de consciência na literatura corresponde ao  mundo interior das personagens. Suas verdadeiras intenções, pensamentos e abstrações. O cinema já tentou captar essa linguagem narrativa com sucesso para as telas em filmes como As Horas e Mrs. Dalloway. Em Amor Pleno, Terence Mallick conduz com maestria esse estilo narrativo com suas  sensações, sentimentos e monólogos interiores de homens e mulheres numa jornada solitária ou conjunta, sexual e sensual, em suas decepções, prazeres e principalmente em sua busca por Amor. Seja ele carnal, divino, maternal ou paternal.
Trata-se de uma obra contemplativa e reflexiva em que a imagem predomina na narrativa e os atores são ferramentas de emoções e sentimentos genuínos. O diretor exige que o espectador dê significado a cada elemento visual colocado na tela.
 

Não se engane pela péssima tradução em português: Amor Pleno não é sobre romance meloso meia boca hollyoodiano. E nunca poderia. Dirigido por Terence Malick, o diretor do subestimado por muitos, Arvore da Vida, traça, como já mencionado, um painel filosófico sobre a condição humana. Na sua perspectiva o ser humano é um ser em eterna busca. Busca pelo preenchimento do vazio.

Duas histórias paralelas são estabelecidas. Na do casal sem nome (será intencional?), um sujeito americano do interior rural  leva a namorada e a filha dela, de origem francesa, para morar com ele. Na outra, um padre em crise espiritual (Javier Bardem) busca evidencias da existência e do amor de Deus em um mundo tão miserável e corrompido.
 

 
Há filmes que são profundamente poéticos. E assim como a poesia, analises e racionalizações não arranham a superfície de seu real significado.
 Mais uma vez Malick conseguiu nos atingir em cheio.
Título: To the Wonder
Diretor: Terence Malick
Elenco: Ben Afleck, Javier Bardem
Ano: 2012

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Amour

 
Michael Haneke é um diretor de teses. Em Caché realizou uma tese sobre a mesquinha vida burguesa. Em Violencia Gratuita o tema foi o prazer do ser humano em ver sofrimento alheio (incluindo nós espectadores de seu cinema). Amour não é diferente. Já na cena inicial, somos alocados em frente a uma platéia assistindo um concerto de piano. A platéia esta a nossa frente e a camera sobre ela é constante. Como se estivesse nos observando e não nós a ela. No desenrolar da trama nos tornamos testemunhas oculares sobre a vida de duas pessoas que estavam nessa platéia:George e Anne. Professores de música casados há mais de quarenta anos possui uma afinidade e intimidade conquistada por raros ao longo de tanto tempo. Seus dias são recheados por leituras, planejamentos de idas a concertos, teatro e outras coisas do tipo. Casal feliz que se ama. Isso até o dia em que tomando café da manhã Anne tem um ataque. Fica paralisada. Sofre um derrame. A partir daí sua rotina é revirada pois sua mulher não quer ficar presa ao hospital. Assim ele promete que não a deixará lá, cuidando dela em sua própria casa.
Se no início do filme somos testemunhas da vivacidade do idoso casal, ao longo do filme vemos Anne se definhando na cama dia após dia, ataque após ataque. Não come, não anda, não faz suas necessidades, não troca de roupa sem a ajuda do marido. O derrame é um divisor de agua na vida e personalidade do casal. Se no início George é um marido devoto e gentil que deseja cuidar da esposa sem ajuda, com o tempo ele contrata duas enfermeiras e se torna impaciente e cansado. Sua mulher não tem mais nenhuma vivacidade e vive de forma indigna. Não vive apenas sobrevive.
 
Todo o  roteiro é dignificado pela primazia tecnica. A amplitude da casa em que o casal mora é valorizado por Haneke, transformando o cenário em um terceiro personagem. Seus longos planos estáticos e concentrados sobre cada comodo, sobre cada quadro na parede (paisagens amplas com um personagem no centro ou no fundo do quadro) funciona como uma expressão da solidão sofrida por Anne. A ausencia da trilha sonora e música de fundo o torna ainda mais angustiante, intimista e melancolico. Nesse ponto  passamos de testemunhas a aliados de Anne. Tudo o que desejamos é o fim de seu sofrimento. Esse momento é que entra a discussão e a tese de Haneke: A questão da eutanásia/ suicídio assistido que, como sabemos, é um tema bastante complexo e muito em voga.
 
Amour é um filme complexo e multilateral. São inúmeros os simbolismos presentes nessa complexidade: um pombo que insiste entrar na casa, o sonho sufocante de George... E todos relacionados a finitude da vida. Relacionados a questão do que é a vida. Será que somente respirar é viver? Mesmo estando preso em uma cama sem nenhuma mobilidade? Sem nenhuma liberdade ou independencia? São muitas questões e debates que a tese do filme suscita. Não é um filme fácil. Tanto pela temática quanto pela forma como é realizado. Mas é um filme com todas as letras. Soberbo e  recheado de dialogos e falas que enaltecem a vida. È desafiador tanto intelectuamente quanto emocionalmente. Se a academia for justa ( seria a primeira vez) Amour levará com folga a estatueta de melhor filme.
 
 

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Febre do Rato



Febre do Rato é um título perpicaz que incorpora todas as condições sociais de Recife e também é uma alusão a alguém sem lucidez, sem controle. Esse alguém é o poeta Zizo que vive em uma sociedade alternativa, anarquista e diferente de uma pequena parte da  sociedade padrão e burguesa de Recife. Vive pelos mangues e bares fazendo, falando e vivendo a/de poesia. Além das letras sua rotina dionisíaca é composta de manifestações poéticas intensas, edição e impressão do jornal manifesto Febre do Rato e sexo com as senhoras locais também intenso como tudo em sua vida e em seu ser. A fome do agitador cultural pelas palavras contra a desigualdade social e sua rotina é alterada quando conhece Eneida.
 Eneida remete ao Èpico de Virgílio e significa guerra. Traduz no filme como origem da guerra interna que ocorrerá a Zizo a partir do momento que a deseja mas esta o rejeita. Possui dezoito anos, estuda e gosta de Zizo. Segundo suas próprias palavras prefere Zizo à sua escrita.


Vanessa e Pazinho é um casal em constante tapas e beijos. Ele é adepto a surubas e ela é um travesti. Ele se da o direito de frequentar orgias e bebedeiras mas ela não. (Somos diferentes mas iguais, ela diz em determinado momento)
Os personagens vividos por Victor Araújo, Hugo Gila, Tânia Granussi vivem em um barraco em meio a bacanais e festas.

É essa a Recife que Claudio de Assis nos apresenta aos poucos.Uma Recife fora dos pontos turísticos. Uma Recife incomum, crua e miserável e anarquista tanto social quanto sexual.
 É interessante observar como o discurso político anarquista se estende para outras esferas da vida como na area das relações sociais. Todo mundo é de todo mundo. As relações não são de poder ou controle. Não são verticais mas horizontais (é interessante notar que esse aspecto se expressa também na tecnica pois em algumas cenas, a camera move-se por cima. Verticalmente). Não há regras ou etiquetas. O que importa é a entrega, o prazer.
Criticado por intelectuais e críticos conservadores e tachado de subversivo devido a valorização à nudez e sexualidade em seus filmes, Claudio de Assis é representado pelo próprio Zizo: é um diretor fora do padrão. Deseja acabar com a ordem estabelecida, incorporar tudo o que seja chamado de perversão, possui uma inquietação interna, de ousar, de desobedecer, enfim de  viver.
Febre do Rato nada mais é que um filme de amor anarquista,sexual e visceral.

Tìtulo: Febre do Rato
Elenco: Nanda Costa, Irandhir Santos, Matheus Nasthergale
Ano: 2011

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Wendy e Lucy

Michelle Williams não é uma atriz tecnica como a veterana Meryl Streep ou cheia de vícios de atuação como sua contemporanea Natalie Portman. Michelle Williams não é atriz. È uma artista. E uma artista completa. Entrega-se por completo aos papéis escolhidos com um cuidado meticuloso. Personagens e filmes selecionados por ela são sensíveis,melancólicos e muitas vezes indecisos. Seus filmes não são películas quaisquer. São aqueles que nos marcam. Que entranham não só em nossa mente mas em nossos sentidos.
Wendy reúne todas essas características. Sobrevivente da recente crise americana, desse sistema capitalista decandente e sangue suga,tem por única companhia sua cachorra Lucy e como objetivo viajar para o Alaska na esperança de um emprego e melhores condições de vida ao lado de sua cachorra. Wendy e Lucy não é um filme convencional hollyoodiano com começo, meio e fim moralizante. Não tem moral. Não tem uma história retílinea. Wendy não tem um rumo,uma direção certa. È na verdade uma sucessão de episódios que vão ocorrendo com ela. Em meio a esses episódios encontra solidariedade na figura de um quase aposentado policial, a maldade da humanidade na figura de um grupo de pessoas também vítimas da crise e perspectiva e esperança na sua companheira canina. Ora triste,ora esperançoso, como diz o velho chavão é uma mistura de emoções. Assim como a vida. Título: Wendy e Lucy Diretor:Kelly Reichardt Ano: 2011

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Holly Motors

Uau! Uau! Uau! O que me fascina no cinema como nenhuma outra arte me fascina são o impacto, beleza visual e a história que só essa arte é capaz de transmitir!Esse filme francês lançado nos cinemas no final do ano passado,possui tremenda beleza estética e é uma verdadeira celebração a imaginação e ao próprio cinema! Há alguns diálogos, algumas frases aqui e ali, mas o que me causou impacto foram as imagens. A cena do balé virtual está no meu top 10 de cenas mais belas já assistidas na telona.
Da madrugada até à noite, algumas horas na existência do Senhor Oscar, um ser que viaja de vida em vida. É alternadamente industrial, assassino, pedinte, criatura monstruosa, pai de família... O senhor Oscar parece desempenhar papéis, interiorizando cada um de forma completa, mas onde estão as câmeras? Está sozinho, acompanhado apenas por Céline, uma senhora loira alta aos comandos da imensa máquina que o transporta em Paris e arredores. É como um assassino consciencioso movendo-se de assassinato em assassinato. Persegue a beleza do gesto, do motor da ação, das mulheres e dos fantasmas de sua vida. Mas onde é a sua casa, onde está a sua família, o seu descanso? (fonte: filmow)
Bom,não há interpretações fáceis. É difícil racionalizar o filme por completo. Acho que nem é tão interessante e que o propósito do filme nem é racionalizar, mas sentir mesmo (não há lógica ou sentido no filme). Sentir a estranheza, o incomodo provocado. È um filme difícil, conceitual e como disse a crítica Eliane Brum em uma revista é pretensioso. Mas é um filme perspicaz sobre a contemporaneidade. É um filme metalinguístico. È um filme sobre a humanidade. È um filme sobre a arte. Cada personagem que Denis Lavant encara é um filme diferente, como se fosse vários curtas metragens. E esses curtas, esses personagens nos retratassem. Como as bonecas russas,ao invés de uma boneca dentro da outra, há um filme dentro do outro. É mais ou menos isso: um curta dentro do outro, um personagem dentro do outro, uma mascara dentro da outra, uma mentira dentro da outra. Parabéns Leon Carax pela sua coragem em expor a humanidade com todos as suas mentiras e máscaras. Direção: Leon Carax Data de Lançamento:2012 Elenco:Eva Mendes, Denis lavant,Killie Minogue

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Paris Manhattan

Alice é uma jovem farmaceutica apaixonada por Woddy Allen.Tão apaixonada por seus filmes que acredita que as respostas para as grandes questões da vida estão em seus filmes. Seu quarto possui um imenso poster do idolo, há livros do cineasta e "conversa" com ele antes de dormir. Alice não tem muita sorte em relacionamentos (tanto que quando conhece um rapaz em uma boate, este se apaixona pela sua irmã mais velha)possui uma leve rixa com sua irmã. Assim como nos filmes do Woddy Allen, por ordem do acaso conhece Victor, eletricista cetico que se apaixona por Alice gradualmente.
Se fosse feito em Hollyood, Paris Manhattan seria uma sacarina sem tamanho focando na relação das irmãs e retratando Alice como uma solteirona patética. Vide as comédias românticas com katherine Hagel. O que Hollywood precisa aprender com a diretora Sophie Lelouch é saber aproveitar os clichês do genero para dar ritmo e cadencia a história Para quem é fãnatico de Woody Allen como eu, é divertido procurar referencias sobre ele e seus filmes durante o longa. Como o próprio nome da personagem principal, Alice. Homenagem a Simplesmente Alice dirigido por ele em 92.

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E o último filme do ano é...


A Origem dos Guardiões
Jack Frost é o protetor das crianças e tem o poder de fazer nevar. Papai Noel presenteia as crianças de todo o mundo cristão  ocidental. O fofíssimo Sandman protege os sonhos das crianças evitando pesadelos. A fada dos dentes recolhe os dentes de leite das crianças trocando por doces e bugigangas. E o Coelho da Páscoa... não preciso nem dizer não é mesmo? Quando Bicho Papão resolve atacar e por medo nas crianças invadindo seus sonhos, credulidade e fantasia, os guardiões resolvem se unir e contra atacar estimulando a imaginação das crianças a fim de sustentar a magia no mundo. O detalhe da produção é a inovação nos personagens principais: Papai Noel é tatuado, o Coelho da Páscoa possui 1,85 e é metido a badAss, a fada dos dentes é esquistamente sexy e o desconhecido Sandman é fofíssimo se comunicando através de desenhos.

No estilo Os Vingadores mirim, A Origem dos Guardiões possui um roteiro tão bem amarrado e um visual tão inebriante que agrada tanto a criançada ( tanto que a meninada não parava de rir) quanto a adultos como essa que escreve. A animação é visualmente original, dando belas representações para os poderes de cada um, além de contar com um design de produção inspiradíssimo não apenas para as roupas dos personagens, mas também para o habitat/base de operações de cada um deles.

Escrito pelo ganhador do oscar de melhor curta de animação do ano passado, William Joyce e dirigido por Guilhermo Del Toro ( Labirinto do Fauno) realmente não teria como dar errado. Leve e gostoso de assistir. Belo modo de terminar o ano.

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200 Cigarros



Festas natalinas e de fim de ano geralmente rendem ótimas histórias para o cinema. È claro que teve alguns erros como o insípido Feliz Ano Novo mas de resto são filmes prazerosos. Seja drama ou comédias alternativas como 200 cigarros.
                     
Dirigido por Risa Bramon Garcia, 200 cigarrettes se passa na virada do ano de 1981 para 1982 em Nova York. Monica é uma jovem neurótica de vinte e poucos anos que prepara uma festa de arromba para comemorar a passagem do ano. Chama amigos, parentes, conhecidos e conhecidos de conhecidos. O problema é que as horas passam e ninguém chega. Ao longo dessa espera o filme corta para a histórias de desencontros e encontros amorosos de alguns desses jovens convidados. E assim vai: namoros, brigas, problemas, alegrias... tudo com um pouco de bebida e muito cigarro.


Título: 200 cigarrettes
Elenco: Ben Afleck, Casey Afleck, Cristina Ricci, Marta Plimpton, Elvis Costello
Ano: 1999

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A falta que nos Move

 
"Um brinde a essa palhaçada que é a minha vida"
O cinema nacional me enche de orgulho. Apesar de ser exportado como cinema social ou cinema de favela, os filmes do chamado movimento novíssimo cinema abordam a subjetividade, realismo fantástico e dramas psicologicos. Ou seja, são filmes que se interessam no ser humano e não somente no contexto social.

O Palhaço, Rua dos Bobos, Feliz Natal, O Astro e Trabalhar Cansa são alguns dos belissímos exemplares desse novo cinema que faz pensar e também aflorar a nossa imaginação. È o tipo de cinema que da espaço para obras autorais e independentes e que em temas particulares se tornam universais. E também são plurais nas suas singularidades.

Em A falta que nos Move dirigido por Cristiane Jatahy, o vazio e a relação verdade x ficção são discutidas através de uma trama simplória: amigos se reúnem para realizar um jantar e receber uma pessoa misteriosa. Nessa espera ocorre frivolidades, conversas francas, acidentes banais elevados a tragédias gregas e muito, mas muito improviso. A espera por esse convidado misterioso lembra Esperando Godot e assim como no livro Godot é a representação de uma eterna espera ou de uma eterna busca por algo maior do que nossa ínfima humanidade. È a incompletude da vida.

Em tom semi documental a diretora Jatahy aparece dirigindo as cenas  através de mensagens no celular ou bilhetes. Dando dicas de posição do elenco ou sobre o roteiro, ela realiza a proeza de transformar  o espectador em um agente participante desse jogo ( será as lagrimas, histórias, conversas e tensas discussões verdadeiras? ) e não somente um mero espectador.
Investigando os limites entre realidade x ficção, essa transposição cinematográfica de sua peça Todas as histórias são ficção,Jatahy nos propõe a ideia de que sem a ficção, ou seja, sem a mentira seria insuportável viver. E que as vezes ela pode ser o motor da vida.

Título: A falta que nos move
Diretor: Cristiane jatahy
Ano: 2009

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As Vantagens de ser Invisível


O teatro na Grécia Antiga teve suas origens ligadas a divindade Dionísio. Tinha um carater orgiástico e catártico. A platéia que permanecia de pé durante cinco, seis horas acompanhando a peça experienciavam uma espécia de mudança ao sair do teatro. Não saiam do mesmo modo que entraram no teatro. Os tempos mudaram e o que antes era uma experiencia catártica agora é só entretenimento entre um jantar e a balada.
Essa breve introdução da resenha sobre a origem do teatro não é fora de contexto. Ir ao cinema tem esse efeito sobre mim. Não é apenas um passatempo. È uma experiência enriquecedora. E quando o filme é obra prima ou ocorre uma identificação a catarse é natural. È o caso de As Vantagens de ser invisível.

Escrito ,dirigido e produzido por Stephen Chbosky, baseado em seu próprio livro de 1999, a trama fala sobre um jovem introvertido e complexo chamado Charlie ( Logan Lerman), que tenta fazer amigos e ser aceito nos primeiros dias de aula do segundo grau. Sua vida de isolamento e depressão muda radicalmente quando ele decide fazer amizade com o underground Patrick (Ezra Miller), que lhe apresenta um novo mundo de amigos descolados. Entre eles, Sam (Emma Watson), por quem o protagonista começa a desenvolver um grande amor. A história ganha o contexto do início dos anos noventa, o que só acrescenta a trama pois a trilha sonora com o melhor da época ( U2, Depeche Mode, The Smiths) é precisa em detalhes e momentos cruciais passados pelo personagem sem ser piegas.

Escrever a sinopse não é tarefa fácil. Qualquer linha não irá fazer jus ao filme e soará como qualquer outro filme adolescente raso e boboca. A verdade é que nas entrelinhas é onde a obra ganha seus grandes contornos. Como o fato da amizade ser um forte alicerce para a superação de problemas familiares e interiores. De ser até capaz de salvar alguém. 
Stephen Chbosky, o diretor, consegue imprimir grande sentimentalismo e drama ao filme, sem nunca exceder sua aceitação. Até o mais cético deverá se emocionar aqui.

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